A prática é também uma pesquisa (PPGAV/UFRGS · OM-LAB/CNPq) que produziu um vocabulário próprio. Três conceitos organizam o trabalho:
01 Smartografia
Método de captura 3D com o dispositivo mais comum do mundo: o celular. Escrita (grafia) feita com smartphone, no meio do acontecimento, sem tripé e sem controle. A precariedade não é limitação — é posição: registrar a festa de dentro dela, com a ferramenta que qualquer pessoa carrega no bolso.
02 Rastilhos
Os restos que a captura deixa: pontos soltos, bordas rasgadas, buracos de oclusão. Como o rastilho de pólvora, são vestígios que ainda carregam energia — a fagulha do que aconteceu. Nas obras, os rastilhos não são limpos: são o material.
03 Agência fraca
A capacidade que o registrado tem de resistir ao registro. O corpo que se move rápido demais para o sensor, o brilho da lantejoula que cega o LiDAR, a multidão que engole o operador. Uma agência que não confronta o aparato — escapa dele.
Referências em diálogo: Leda Maria Martins (encruzilhada), Nêgo Bispo (confluência), Yuk Hui (cosmotécnica), Walter Benjamin e Bernard Stiegler (técnica e memória).